Correio dos Campos

Com a pandemia do coronavírus, mais de 8 mil estudantes migraram das escolas particulares para a rede pública no Paraná

Secretaria de Educação criou uma ferramenta para que as matrículas sejam feitas pela internet
10 de junho de 2020 às 14:41
Aulas presencias estão suspensas no Paraná desde o dia 20 de março. (Foto: Reprodução/RPC)

G1 – Mais de oito mil estudantes de escolas particulares do Paraná foram transferidos para escolas da rede pública logo após o início da pandemia do coronavírus.

O volume representa 1,85% do total de alunos matriculados na rede privada do estado, segundo a presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná, Esther Cristina Pereira.

Ao todo, segundo ela, são 457.858 em todo o Paraná, sendo que 149.390 estão concentrados em Curitiba.

Essa mudança da rede particular para a estadual tem acontecido, ainda conforme Esther, porque alguns pais ficaram desempregados por conta da pandemia e, por isso, não puderam mais manter as mensalidades.

“Os gestores das escolas estão dialogando com as famílias para reorganizar e repactuar as mensalidades. Então, as escolas têm feito todo um movimento para que o estudante não saia da rede privada”, explicou.

Tanto as aulas presenciais da rede privada, quanto da estadual, estão suspensas no Paraná por determinação do governo. Ambas atuam com aulas online e atendimento remoto.

Matrículas pela internet

Por causa das transferências, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) reforçou o trabalho nos núcleos regionais para que os pais possam fazer a matrícula pela internet.
Segundo o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, a procura pela rede estadual tem acontecido por conta da qualidade das aulas remotas.

“Temos aulas pela televisão, pelo Google classroom, muitas reuniões por meetme, muitas lições de casa. Então, a qualidade da nossa aula remota tem chamado a atenção de muitos pais que estão vindo para a escola pública”, afirmou.

Ele disse ainda que a maioria das escolas do estado têm vagas em aberto para estudantes. “E nós só aceitamos a matrícula quando há vaga para a sala de aula física. Então, todas as matrículas aceitas estão sendo feitas em um cenário de fim da quarentena e não somente nas aulas online”, destacou Feder.

O pagamentos das escolas particulares

Para a presidente do sindicato, a cobrança pela mensalidade mesmo sem as aulas presenciais é necessária para bancar 70% da folha de pagamentos e impostos.

“A partir do momento que os pais deixam de pagar a escola, nós teremos um problema muito grande porque temos que continuar pagando os professores e os outros custos”,afirmou.

Esther ressaltou que as instituições não recebem nenhum auxílio do governo e por isso não podem oferecer muitos descontos. “Aqui no Paraná, nós desoneramos por ano R$ 7 bilhões para o governo. E mesmo nessa situação, nós não tivemos nenhum auxílio do estado”, disse.

“Chega a ser um pouco injusto. Nós percebemos que o poder público tem uma preocupação grande com dinheiro e não com a educação porque bares, shoppings e outros estabelecimentos estão abertos, mas as escolas não”, destacou.

Segundo Esther, apesar de as aulas não ocorrerem presencialmente, a qualidade do ensino continua sendo a mesma. “Não é porque a escola não está atendendo presencialmente que nós não estamos fazendo todo um movimento”, afirmou.

Orientações do Procon

A suspensão das aulas durante a pandemia do novo coronavírus deixa muitos pais em dúvida se continuam pagando as mensalidades de escolas particulares e de cursinhos. Algumas instituições anunciaram que darão desconto, mas há casos que não há negociação.

O Procon Paraná orienta que a negociação deve ser fundamental para se chegar a uma medida boa para os dois lados.